terça-feira, 9 de setembro de 2014

Por que escrever mesmo?

Eu sempre fui apaixonada por revisitar o passado, viajar por possibilidades, como um jogo de detetive tipo Sherlock Holmes sempre buscando pistas, descobrindo e solucionando um mistério, gostava de jogar com a História. Nossa como fazia sentido! Era linear e havia as construções, desconstruções e reconstruções em diferentes pontos de vista. 

Mas como isso me cansa agora! Ainda gosto, mas cansa. Provavelmente por que não levo as discussões sobre isso mais a sério que sobre qualquer ficção... Embora a causa principal - talvez - seja a que não vejo mais o passado da mesma forma.

De modo geral, nós lemos e ouvimos que só existe o agora, mas penso que só hoje eu esteja começando a realmente viver isso - já que uma coisa completamente diferente é apenas compreender intelectualmente isso. E vivo quase que por falta de opção mesmo.


Me parece que apenas existe de fato o que eu vivo agora e todo o resto soa irreal. Tento me lembrar do que vivi, mas no fim... soa como ficção – salvo algumas lembranças mais vívidas aqui e ali.


Em certos momentos tudo parece tão sem sentido que até as coisas mais óbvias e cotidianas viram só conceitos e aí, bem, aí tudo parece a ponto de deslizar para o não sentido e na minha percepção tudo parece perder literalmente sua solidez. Como se a coisa fosse tão fluída quanto o conceito que nós empregamos a ela. Tão maleável que se dissolve.

E nisso é que sinto a necessidade de escrever, porque primeiro as lembranças tendem a serem esquecidas cada vez mais rápido; e, em segundo lugar, o passado além de soar ficcional em boa parte do tempo, ele não me parece mais linear, ao menos como eu o costumava perceber.

Hoje eu tendo a ver o passado como um grande mural e tudo fica lá colado. Anotações, fotos, postites coloridos e desenhos pela metade espalhados com ou sem referências do que seja aquilo, todos meio misturados, alguns até quase se mesclando. Flertando com o caos constantemente. 


Então eu vivo algo ontem e isto vai para o meu mural e fica lá ao lado de coisas que vivi há anos. E de repente não sei mais o que vivi ontem ou semana passada ou até mesmo se é uma lembrança de algo que sonhei.

Por isso me propus a escrever de forma relativamente periódica para me lembrar de coisas que eu vivo de modo geral, de algumas experiências que são verdadeiros bálsamos (para mim, pelo menos). Escrever não no sentido de catalogar ou qualquer coisa do tipo, mas para me lembrar que eu vivo algumas coisas que 
realmente valem a pena serem lembradas como um pouco de lenha para reavivar uma fogueira. 

E aproveitar a situação para compartilhar tudo isso também – Isto, claro, se eu me lembrar de escrever. 


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